Passei por uns maus bocados, esse ano. Descobri o que é o medo. Descobri o que é viver todo dia achando que tem um monstro atrás de todas as portas. Aprendi a ter medo de coisas que eu achava que conhecia, coisas que eu amava e, não sabendo mais quem eu era, aprendi a ter medo de descobrir.
Escrever sempre fala de quem a gente é, querendo ou não. Você cria histórias e personagens e situações só pra depois descobrir que tava falando de você mesmo desde o começo. Eu sempre soube disso. Foi uma das primeiras coisas que eu aprendi sobre criar: que não se cria apartir do nada. E que a única coisa que a gente tem pra se basear é a gente mesmo.
Mas nós somos, como eu ouvi de uma professora, um puta caos. Comunicar é, necessariamente, organizar, então. Tirar alguma coerência disso. Fazer algo fazer sentido.
Se as coisas em mim estão fora do eixo, o que eu vou achar se tentar colocar os eixos de volta?
Será que eu ainda gosto do que eu gosto?
Será que as partes importantes de mim ainda estão lá?
Não temos medo do que sabemos o que é, mesmo que seja algo ruim, algo que a gente não gosta. Medo de verdade tem a ver com incerteza, só existe nesse espaço do não saber.
Problema a gente resolve, diz minha terapeuta. Abra a porta. Descubra o que tem atrás dela.
A partir disso, você tem ações. Escolhas, mesmo que limitadas.
Eu li Duna, esse ano. E tem um trecho desse livro que eu vou levar comigo pra sempre:
"Não devo ter medo. Medo é o assassino de mentes. É a pequena morte que oblitera a tudo. Eu vou encarar meus medos. Vou permitir que ele passe sobre e através de mim. Quando ele se for, me virarei e verei seu caminho.
Onde o medo uma vez esteve, não estará mais.
Apenas eu permanecerei."
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